Terça-Feira, 24 de Janeiro de 2017
Marketing de destinos

London Calling

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Ricardo Hida, CEO da Promonde, estreia hoje um espaço no Brasilturis para falar sobre marketing de destinos. Os textos serão publicados no portal, sempre às quartas-feiras

Por Ricardo Hida*

Saiu em várias mídias: o brasileiro escolheu Londres como o primeiro destino no exterior neste final de 2016 e início de 2017. Busquei em vários lugares a fonte da informação e vi que a ViajaNet realizou recentemente um estudo e verificou que 34% de suas buscas apontavam Londres e Santiago como destinos mais procurados no exterior para passagens e hotéis. No caso do Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Seguro -efeito Trancoso – lideraram, sem surpresa alguma, o ranking dos turistas.

Obviamente para um estudo mais preciso seria necessário consultar todas as companhias aéreas, operadoras de turismo e agências off-line. No entanto, em conversas informais com amigos, nas redes sociais e nos eventos do trade, pôde-se constatar, de fato, um crescente interesse pela capital britânica neste último ano.

Muitas poderiam ser as razões para justificar essa ascensão de Londres no coração dos brasileiros. A primeira delas é econômica. Embora, em um ano financeiramente complicado, o câmbio tenha sido ainda mais desfavorável para a libra esterlina, Londres apresentou uma série de ofertas em hotéis e restaurantes. E as companhias aéreas também entraram no jogo e baixaram o valor das tarifas para fortalecer a demanda. Da mesma maneira, a gratuidade dos museus foi utilizada de forma sistemática como um vetor de atração de turistas.

A segunda razão, e possivelmente a mais importante, é um trabalho de posicionamento do destino. Há tempos a Grã Bretanha vem se firmando como um destino divertido, vibrante, musical em que a tradição e modernidade convivem com total intimidade.  É sabido que a vida noturna de Paris ou Berlim é mais intensa que a da capital britânica, porém, para a imensa maioria dos brasileiros, Londres é o lugar em que a noite é a melhor da Europa.

Embora Paris seja ainda a capital da moda, a Fashion Week londrina vem se firmando como uma grande reveladora de talentos, com nomes como Vivienne Westwood, John Galliano, Stella McCartney e Alexander McQueen (1969-2010).

Os jogos olímpicos de 2012 foram muito bem aproveitados para fortalecer a imagem de uma cidade vibrante, jovem e cosmopolita. O maior evento esportivo do planeta colaborou para que o atendimento dos britânicos nos hotéis, restaurantes e loja se tornasse mais simpático, porém não menos elegante.

Londres também soube se aproveitar da produção cinematográfica e televisiva. Grandes sucessos como Harry Potter, Downton Abbey, The Crown e Black Mirror, colaboram na divulgação do destino, assim como todas as notícias em torno dos Windsor. Aliás, se há uma monarquia, que sabe capitalizar sua existência é a inglesa. Desde a morte de Lady Di, a família real tem aprendido a lidar melhor com as cultura de massa, com a opinião pública e com as redes sociais. Kate Middleton- independente, inteligente, bela, elegante, pop, sexy e real – talvez seja a síntese da imagem que Grã Bretanha quer passar para o mundo neste novo século.

A gastronomia, sempre um ponto fraco, tem sido tratada de outra maneira. Fora explorados os fenômenos Jamie Olliver e Gordon Ramsay, assim como os chefs Marco Pierre White, Nigella Lawson e Heston Blumenthal. Isso sem mencionar as barracas e restaurantes etíopes, vietnamitas e indianos.

Mesmo o fenômeno Brexit não afetou a imagem junto aos brasileiros. Principalmente quando se pensa na xenofobia de Trump ou nos trágicos atentados na Europa que criaram uma imagem de medo e tristeza no resto do mundo.

Visitei Londres algumas vezes, quando trabalhava para o turismo francês. A responsabilidade de vender Paris nunca me permitiu olhar Londres com total simpatia. Em recente visita a Inglaterra, neste ano, pude olhar para a cidade com mais liberdade. E fiquei apaixonado! A hotelaria design, a gastronomia alternativa do Bourough Market, as lojas do Convent Garden, as exposições dos Tate(s) e a produção cultural do Barbican Center mostram que a cidade é um polo irradiador de criatividade, diversidade e energia.

E, por falar em Barbican Center, se estiver passando por Londres não deixe de visitar a exposição Vulgar. Trata-se de uma das melhores que já vi na vida. A vulgaridade, na moda, nas artes, nas letras é tratada de uma maneira original, intelectualmente refinada e muito inusitada. Uma prova que os ingleses e Londres podem ser tudo – excêntricos, audaciosos, inusitados – mas jamais serão vulgares.

ricardo-hida

 

*Ricardo Hida é formado em administração pela FAAP e pós-graduado em comunicação pela Cásper Líbero. Foi diretor da H&T Eventos, executivo de vendas na Air France-KLM, gerente de marketing na Accor Hospitality e diretor adjunto do Escritório de Turismo da França no Brasil. Atualmente é CEO da Promonde. Dirigiu a comissão de turismo da Britcham e CCFB e foi diretor da ABRAT-GLS entre 2007 e 2009.

 

 

1 Comentário

1 Comentário

  1. Phedra Danay

    5 de janeiro de 2017 em 5:55 pm

    Caro Ricardo, muita boa a sua reportagem. Parabéns. Sou amiga da Patricia Campos, que me avisou. Seria muito bom, se reportagens como essas fossem feitas sobre a maravilhosa Grécia, da qual tenho descendência mais que direta. Um país fantástico, mas que vem sendo massacrado há séculos por vários países opressores e que tem interesses obscuros. Vale a pena conhecer, se ainda não conhece. Minha mãe foi testemunha ocular de parte da História Grega, e até escreveu um livro, e procura editor 9como você conhece muita gente, tomo a liberdade de perguntar se pode indicar algum agente. O livro é muito bom, mesmo). Mais uma ve, Parabéns e muita Boa Sorte !! Geia Sou!

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